Em democracia não há verdades absolutas
Em democracia a decisão da maioria não é sinónimo de verdade ou de ter razão. A decisão de uma maioria é apenas sinónimo de uma opção, pois tantas e tantas vezes a decisão de uma maioria se veio a verificar ser contra os interesses dessa mesma maioria. Contudo, em democracia, devemos respeitar as decisões dessa mesma maioria, sem que isso signifique que essa opção seja a melhor e sem prejuízo de direitos fundamentais.
No caso vertente a maioria expressou-se pelo desinteresse e ao fazê-lo afirmou uma posição. E essa posição foi muito bem definida pelo CPA.
“Os autocaravanistas e os cidadãos que não querem uma Área de Serviço para Autocaravanas em Lisboa, nem beneficiar o turismo em Portugal, NÃO VOTAM neste projeto.”Porque, em democracia, as nossas opções têm consequências.Tenho para mim que os autocaravanistas são pessoas adultas e como tal são responsáveis pelos seus atos, logo a única conclusão que se pode tirar, se não quisermos ter tentações paternalistas, é concluir que uma maioria de autocaravanistas e cidadãos, que são adultos, esclarecidos e responsáveis, ao não votarem, não quiseram uma Área de Serviço para Autocaravanas em Lisboa, nem beneficiar o turismo em Portugal, pois era exatamente isso que estava em causa.
Claro que os autocaravanistas e os cidadãos conscientes, que exercem o seu legítimo direito de cidadania, devem estar tristes.´
É perfeitamente compreensível e desejável que entre uma instituição, os dirigentes da mesma e os respetivos associados exista uma empatia. Mas essa empatia não pode ser um obstáculo ao direito de TODOS os associados serem tratados de igual forma e não serem uns mais associados que outros.
Entendo que o CPA não é um “Clube de Amigos”, mas uma associação onde os amigos se encontram para defender os interesses, direitos e garantias de TODOS os autocaravanistas. Seria muito simples criar dentro do CPA um grupo de apoio desde que a gestão do CPA se direcionasse para esse grupo de apoio. Um lóbi. Com o atual presidente da Direção (e com todos os membros da Direção) os pequeninos poderes instituídos foram derrotados e abandonaram o CPA. Criaram de forma artificial Clubes de Autocaravanistas e avançaram com a implementação de uma Federação paralela que imaginaram vir a ter um êxito estrondoso. Erraram, mas, contudo, até admito que muitos dos apoiantes dessa Federação estejam verdadeiramente convencidos da sua razão. Dizem-nos, no entanto. os factos, que alguns já concluíram que esse caminho não foi o melhor.
E estão de parabéns aqueles que tendo fundado uma federação paralela já a abandonaram.
As Direções do CPA, desde 2010, nunca esconderam os seus propósitos, Foram sempre muito claras nos respetivos programas de ação e muito claras nos Planos de Atividades aprovados em Assembleias Gerais. Mantiveram TODOS (sócios e não sócios) permanentemente informados. Proporcionaram a TODOS os sócios as melhores condições para acederem às Assembleias Gerais de forma a apresentarem propostas alternativas às das Direções. Até (e não fizeram mais que a sua obrigação) distribuíram as Propostas a ser discutidas em Assembleia Geral com uma antecedência de pelo menos 15 dias. Todas as decisões de fundo foram tomadas em Assembleias Gerais. O que nenhuma Direção deve fazer é “pagar” aos associados para estarem numa Assembleia Geral.
Perante factos não há argumentos.Faço pois sinceros votos para que o Companheiro Autocaravanista “mar vermelho”, sem abdicar dos valores pelos quais se rege o CPA, consiga, como diz “
(…) aproximar de forma consistente e regular, os sócios do CPA dos seus corpos dirigentes, abrir pontes (signifique isso o que significar)
e trabalhar afincadamente no aumento do número dos seus associados”. E digo-o com toda a sinceridade.
Termino, repetindo a ideia com que acima iniciei este escrito e em que acredito:
Em democracia não há verdades absolutas.
(mas há factos indesmentíveis!)