FOTO DO MUSEU NACIONAL MACHADO DE CASTRO
Quase diariamente somos contactados por autocaravanistas (e não só), sócios e não sócios do CPA, que nos criticam, questionam, apoiam ou que pretendem colaborar desinteressadamente, o que nos obriga a um esforço suplementar, designadamente nas respostas de esclarecimento e, especialmente, na partilha de informação.
O Companheiro Autocaravanista Manuel Cruz ao ter conhecimento do evento promovido pelo CPA em Coimbra quis partilhar o que considera a “ (…)
mais importante edificação do império romano por todo o espaço em que esta civilização se espalhou” e sugere que no evento
CONHEÇA COIMBRA… não deixemos, no dia livre (24 de fevereiro), de visitar
O CRIPTOPÓRTICO DE COIMBRA
“Trata-se da mais importante edificação do império romano por todo o espaço em que esta civilização se espalhou. Para se perceber por que se chegou aqui é preciso ter em conta a história da cidade de Coimbra, a mais monumental de Portugal e exemplo raro em todo o mundo.
Durante muito tempo foram sendo tecidas leituras da história no sentido de minimizar a importância da nossa primeira capital. Na época mais recente era uma absurda comparação entre as duas principais urbes romanas, Aeminium e Conimbriga, incutindo-se a ideia de que esta segunda, por ter as suas ruínas quase incólumes, seria de importância superior. Esquecendo questões essenciais, como o facto de Coimbra (Aeminium) ter acesso ao mar, enquanto Conimbriga nem sequer era banhada por um rio caudaloso, um aspeto fundamental na formação das mais importantes urbes medievais. E se Conimbriga mantém um espólio fantástico da era romana, tal deve-se exatamente ao facto da sua menor importância que levou a que quando abandonada, murada, não suscitasse interesses exteriores.
Diferente foi a sorte de Coimbra, arrasada por quatro vezes. À medida que foi tendo ocupantes diferentes, a cidade era arrasada. A urbe original, celta, foi arrasada pelos romanos, a cidade romana pelos visigodos, a goda pelos árabes e terá sido mais poupada na reconquista por ter acedido a capital do reino. Na guerra peninsular não escapou ao saque do exército napoleónico.
Não sei quais os vestígios da cidade celta, mas dos visigodos ainda resta a rua da Sofia, que mantém o traçado desse tempo e onde existe uma enorme quantidade de templos (um deles chegou mesmo a albergar um supermercado!). Da reconquista tudo parece perder importância face ao mosteiro de Santa Cruz onde o nosso primeiro rei terá nascido, reinado, morrido e sepultado e onde o tetra tetraneto Dinis fundou uma das três mais antigas universidades do mundo. Do castelo medieval resta pouco mais que o majestoso Arco de Almedina.
A ponte romana que foi demolida no século XIX dava acesso a Santa Clara onde está agora acessível depois de séculos debaixo de água o convento das clarissas de Santa Clara a Velha, além do tardo-medieval de Santa Clara a Nova e de uma obra interessante do Estado Novo, o Portugal dos Pequenitos, projeto de Cassiano Branco.
E não falei de um décimo do que de monumentos de Coimbra tem para ver.
Mas, de todo este espólio, o mais importante parece-me ser o criptopórtico romano, que nos permite perceber de que forma eram organizadas as cidades há dois milénios. Por cima daquela parte da cidade romana que agora é possível ver, foi edificada a Sé Patriarcal, que a implantação da República expropriou há um século para aí instalar o primeiro museu nacional, o Museu de Machado de Castro.
O acesso ao criptopórtico é feito a partir do museu. O preço dos acessos nem sequer é proibitivo.”Manuel Cruz