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Título: Campismo quer lei para 'disciplinar' autocaravanas Enviado por: infoCPA em 27 Nov 2016, 01:03 Ex.mo Sr. Diretor do Expresso,
No caderno Economia do Expresso de hoje (26 de novembro de 2016) saiu um artigo, assinado pela jornalista Conceição Antunes, com o título acima. Pelo facto da Associação Autocaravanista de Portugal - CPA representar perto de um milhar de autocaravanistas, que contribuem com a sua conduta para o bom nome deste tipo de turismo itinerante, vimos junto de V. Exª apresentar a outra face da moeda. Numa primeira nota permita que chamemos a atenção para o facto de ser apresentado um sinal que pretende dar a conhecer a proibição de estacionamento de reboques de campismo entre as 20h de um dia e as 08h do dia seguinte e ao lado estar uma autocaravana, transmitindo ao leitor a ideia de que um reboque de campismo e uma autocaravana estão sujeitas ao mesmo tipo de legislação. Puro engano: um reboque de campismo é um atrelado enquanto uma autocaravana é um veículo motorizado, podendo ser ligeiro ou pesado em função do seu peso e a que tal sinal não se aplica. A Associação dos Parques de Campismo do Alentejo e Algarve (APCAA) parte do princípio de que quem circula em autocaravana deverá ter de pernoitar nos seus parques de campismo porque de outro modo estará a lesar o Estado. Idêntico raciocínio teria de levar o Estado a obrigar todos os veículos a circular nas autoestradas porque as outras vias são gratuitas. Esquecem-se os responsáveis da APCAA que uma autocaravana paga imposto de circulação, está sujeita às mesmas regras de inspeção que qualquer outro veículo motorizado e que para circular tem de utilizar combustível, pagando os respetivos impostos. É verdade que há proprietários de autocaravanas que “despejam sanitas químicas em dunas, praias e locais protegidos” sem que sejam devidamente reprimidos pelas autoridades com as coimas já previstas na legislação, tal como as que se praticam em Espanha ou na Holanda. Nestes casos a aplicação da legislação existente, mesmo que alterada pontualmente para que o pagamento da coima seja imediato, resolve o problema sem importunar quem cumpre com todos os requisitos legais em vigor. Voltando à analogia das autoestradas, será que a APCAA pretende que as mesmas sejam encerradas pelo facto de haver proprietários de automóveis que desrespeitam os limites de velocidade e não cumprem com o que está definido no Código da Estrada? Mas, Sr. Diretor, o verdadeiro problema não é de facto o que é relatado acima, mas o que é pedido pela APCAA na fase final do artigo: “o alojamento em bungalows deve ser alargado a 50% da sua área total (atualmente de 25%)…”. Como podem os atuais 300 parque de campismo recolher obrigatoriamente as cerca de 100 000 autocaravanas que circulam entre nós em julho e agosto? Vai Portugal proibir a entrada de autocaravanas por não haver parques de campismo suficientes? Ou vamos aguardar que os mesmos sejam construídos para abrir as fronteiras? Sabendo-se que muitos dos atuais parques de campismo não possuem Estações de Serviço para Autocaravanas para o despejo de águas cinzentas e cassetes químicas, nem espaços próprios para a pernoita (solo plano e resistente ao peso), vem agora o pedido para reduzir para metade o pouco espaço existente. Há aqui muita incongruência e a única razão para tanto azedume é simplesmente um problema de tesouraria. Fica o nosso desafio à APCAA: crie condições para receber condignamente os autocaravanistas nos parques de campismo e verá de imediato os resultados. Não é proibindo o que o Código da Estrada permite que se regula este setor turístico. A maioria das autocaravanas circula com duas pessoas seniores que frequentam restaurantes, visitam museus, monumentos e ativam a economia local como qualquer outro turista. Finalizamos com um desafio ao Expresso para que seja realizado um debate sobre este tema para o qual nos disponibilizamos desde já. Queira aceitar os nossos melhores cumprimentos e as nossas Saudações Autocaravanistas Título: Campismo quer lei para 'disciplinar' autocaravanas - O contraditório Enviado por: PAPA LÉGUAS PORTUGAL em 27 Nov 2016, 12:38 Caros Companheiros,
A oportunidade e a correcção com que a Direcção da nossa associação se dirige ao Semanário Expresso sobre o artigo de Conceição Antunes (ver AQUI (http://expresso.sapo.pt/economia/2016-11-26-Campismo-quer-lei-para-disciplinar-autocaravanas)). é de realçar. No entanto, dei por mim a pensar (às vezes também o faço) que há quem escolha as ocasiões para divulgar artigos deste teor. Ocasiões em que algum poder económico se quer, alegadamente, afirmar à pala da defesa da ordem ecológica e de outras causas que até correspondem, muitas, ao que os próprios autocaravanistas defendem. Longe de mim supor, sequer, que este artigo é encomendado. Digo-o porque sou leitor assíduo do Semanário há muitos anos e porque não conhecendo a autora do artigo seria absurdo fazer considerações de caracter sobre a mesma. Mas, este artigo do Semanário não podia, por ser escrito neste contexto de confrontação entre autocaravanistas (não campistas) e proprietários de Parques de Campismo, deixar de ser objecto de contestação. O CPA fez o que lhe competia. Façamos votos para que o Semanário Expresso também faça o que lhe compete publicando o contraditório. |